17 de maio de 2013

Uma realidade: os opostos atraem-se IV


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Erica olhou lá para fora e de repente viu o tal rapaz estacionar o seu smart no estacionamento dos cromos (sim porque naquela escola até o estacionamento estava dividido) e saiu do carro, a caminho da escola. Erica só teve uma reação: rir-se. Tatiana estava a tentar perceber a piada mas sem sucesso. Depois de um ataque de risos, Erica disse finalmente:
- Tatiana, olha lá para fora, ali está ele a estacionar o Smart... é que podia ao menos ter uma moto para dar um ar mais sexy mas um smart?? É hilariante.
-A sério? Isso é assim tão engraçado? Não vejo qual é a graça, lá  por tu seres muito rica e poderes ter um chaufer particular que te leva para a escola e te vem buscar todos os dias não significa que todos tenham as mesmas condições...
- Não estou a dizer que todos têm de ser como eu mas ele podia ter, em vez de uma moto, um Ferrari, ou melhor, um Bugatti Veyron, daqueles que sairam à pouco tempo...
- Tu não ouves mesmo o que eu digo pois  não? Ás vezes nem sei porque é que eu perco tempo a  falar contigo, enfim...
Entretanto, o rapaz misterioso já tinha entrado na escola e no preciso momento em que Erica e Tatiana iam ter com ele, a campainha tocou. Erica sabia  que a melhor amiga nunca chegava atrasada às aulas e que se preocupava muito com  o socio-afetivo e por isso, em respeito pela amiga disse:
-Vai lá Tatiana, eu sei que não gostas de chegar atrasada e por isso eu conto-te tudo quando as aulas acabarem... encontra-mo-nos no nosso sítio?
-Sim, boa sorte miga.
Erica saiu disparada ao encontro do rapaz e quando o viu puxou-o pela camisola de lã e levou-o para um canto. Ele soltou-se e ficou muito aborrecido com esta abordagem:
-Olha lá, estás maluca? Lá porque és muito popular não quer dizer que podes fazer tudo o que te apetece com toda a gente... o que é que queres de mim?
-Eu quero simplesmente que me peças desculpa por teres sido tão rude comigo no outro dia sem eu sequer ter feito nada...
-Rude, eu? Apenas disse o que acho de pessoas como tu que têm muita mania e que se acham o máximo. Aliás tu é que me acertaste com a bola e eu é que fiquei mal...
-Eu acho-me o máximo porque eu sou o máximo não vês? Sou capitã da equipa de futebol da escola, sou popular, tenho notas excelentes e um comportamento exemplar, para não dizer que sou "toda boa". Nunca ninguém reclamou de mim. Só mesmo tu...
-É disso que estou a falar, não suporto esse tipo de atitudes. Enfim, nem devia estar aqui a perder o meu tempo contigo e  vou chegar atrasado à aula.
-E o meu pedido de desculpas?
-Tu ouves quando falam contigo? Ah não, é verdade, tu és tão egoísta e só te preocupas contigo que  apenas ouves o que te convém e nada mais.
- O quê? repete lá isso oh cromo que nem carro de gente tem!
 Ele não se controlou e encostou-a à parede:
-Não chamas isso a ninguém ouviste? Muito menos a mim. Não me conheces e não tens o direito de me insultares assim quando te apetece!
Ele largou-a e  virou-se para ir para as aulas quando deu o segundo toque:
- Bosta pah já estou atrasado e a culpa é toda tua.
Erica ainda estava atordoada e a tentar respirar e não ouviu o berro do rapaz. Ela só podia estar a sonhar, isto não lhe tinha acontecido na realidade. Mas aconteceu e ela ficou tão frustrada que faltou a Direito e mandou sms à Tatiana a dizer que ia para casa porque não aguentava estar mais na escola e que assim que ela pudesse que fosse ter lá a casa para conversarem. Erica saiu da escola a chorar, algo nunca visto porque ela era uma menina muito alegre e apenas raras vezes estava triste. Quando o chaufer chegou, ela nada disse, entrou no carro e ficou em silêncio. Lá se ia a menina exemplar da escola. Faltou a uma aula pela primeira vez na vida e quase que "morreu" nas mãos daquele rapaz. Quando chegou a casa, trancou-se no quarto, pegou numa folha de papel e começou a escrever...


8 de abril de 2013

Uma realidade: os opostos atraem-se III

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Durante o treino de futebol, Erica estava muito distraída, o que não era nada normal. Falhava remates,alguns passes e de vez em quando até parava a bola com a mão, o que deu origem  a uns quantos pénaltis... As restantes jogadoras da equipa começaram então a perguntar à capitã o que se passava com ela, visto que ela definitivamente não estava bem. Erica inventou logo uma desculpa, dizendo que esta semana estava com dores menstruais que nunca antes tinha sentido e por isso não estava a conseguir jogar muito bem. Elas ficaram um pouco admiradas porque até quando tinha torcido o pé uma vez e que estava a coxear quis jogar, pois ela é fanática por futebol. Mas mesmo com algumas dúvidas elas acreditaram e uma delas, a Leonor, deu-lhe um comprimido para a dor. Ela agradeceu, meteu-o no bolso e disse que o tomava no balneário. Acabou o treino e todas voltaram para o balneário. Erica trocou de roupa apressadamente.
Ao sair do balneário, Tatiana  já estava à sua espera lá fora. 
-Então pronta para a investigação?
-Bom dia para ti também... e sim prontíssima. só não sei é se o vamos encontrar, só temos 30 minutos de intervalo.
- Mas que pessimista que me saíste... enfim já estamos a perder tempo precioso. Por onde é que começamos Sherlock Holmes?
- Bem, acho que podemos começar pelo refeitório. Como são 10:00, estão todos a petiscar qualquer coisinha.
-Ótimo, bora lá.
E lá foram elas, à procura do rapaz misterioso. Ficaram 10 minutos no refeitório, mas nem sinal dele. Erica perguntou a algumas pessoas se  o conheciam mas pelos vistos ele era desconhecido. Erica ficou um pouco em baixo, mas nunca desistiu.
-Ok e agora?
-Agora temos a biblioteca, o sítio ideal para um "cromo" como ele ahahah.
- Bem visto, vamos.
E lá foram elas e mais uma vez não o encontraram, nem uma pista nem nada. Erica começou a pensar se  o tal rapaz não seria fruto da sua imaginação. Em seguida foram procurar lá fora, perto do campo de futebol e da claque da escola, nas salas de aula, no laboratório, no ginásio, no pavilhão mas sempre sem resultados. A meia hora estava a esgotar-se e elas já tinham percorrido metade da escola. Mas de repente, o pensamento que ela tivera anteriormente mudou completamente...